Tenho um pouco de ressalvas com o termo Team building. Talvez porque já vi ele sendo utilizado para quase tudo, e mais recentemente para se referir a um Happy Hour no bar da esquina com a equipe.

Independente do termo, acredito que o olhar que precisamos ter é de como desenvolver um grupo de pessoas que compartilham um objetivo em comum para trabalhar de forma funcional e eficiente . E team building é geralmente uma atividade pontual que contribui com este desenvolvimento.  Porém, de forma isolada, não é suficiente para transformar um grupo de pessoas em uma equipe de alta performance. Mas pode ser o primeiro passo. Afinal, o que mais pesa mesmo, de verdade, é a forma como um grupo de pessoas efetivamente trabalha junto. Diariamente.

Precisamos, então,  nos questionar frequentemente se trabalhamos melhor ou pior juntos.

Se é melhor dividir ideias com a equipe, ou manter para nós mesmos. Se juntos resolvemos problemas de uma forma melhor do que faríamos individualmente. Se juntos vamos mais longe ou apenas atrasamos nossas entregas.

Se você está na dúvida com relação às reflexões acima, talvez sua equipe não esteja funcionando à todo vapor.

Talvez você esteja num agrupamento de pessoas respondendo para o mesmo chefe.

Quando formamos uma equipe, geralmente pensamos nos talentos e experiências que cada indivíduo pode trazer para o time. Mas a interação entre os membros precisa ser trabalhada ao longo da jornada. E isto não vem pronto de fábrica. Depende dos relacionamentos, de adaptar a diferentes perfis e formas de trabalho. De feedback e de alinhamento. De humildade e de vulnerabilidade. De uma vontade de ser melhor a cada dia e ter dias cada vez melhores.

É claro que às vezes é importante balancear o dia a dia com momentos de descontração. Vale um café da manhã na sexta-feira, uma saída para o karaokê, um almoço num lugar bacana ou até uma ida a um Escape Room para ativar uma competição saudável.

O que não vale, é delegar para estas atividades a responsabilidade de tapar os buracos causados por cultura. Acreditar que o os momentos divertidos no Happy Hour da galera, vão curar as feridas organizacionais. Se você não estiver convencido disto, basta trazer para os relacionamentos amorosos. Levar a esposa para jantar num local bacana, não vai melhorar as falhas de comunicação do relacionamento, a falta de alinhamento dos planos com relação ao futuro. Mas talvez um jantar legal seja um momento de conexão importante para pontuar, de forma gentil e sincera, o que não está legal e como melhorar.  E para lembrar como é bom estar juntos e que a caminhada vale a pena.

Voltando para a equipe de trabalho, é importante gerar momentos de reflexão e construção. Sair do dia a dia tumultuado para enxergar as coisas de uma forma mais macro. O team building, desta forma, se insere num objetivo maior. O de transformar o seu grupo de trabalho em uma equipe que funcione. Aí sim estamos falando de uma Team Building construtivo, e não de um tapa buracos.

 

Analiz é nova integrante da Hümans at Work e tem uma experiência bem diversificada. É engenheira de formação, fez pós graduação em gestão de negócios e recentemente concluiu um mestrado em Digital Management na Hyper Island, uma creative school na Europa conhecida como a Digital Harvard. Começou a sua carreira na indústria e mudou para o setor de tecnologia, assim viveu o mundo corporativo e o mundo das startups. Trabalhou com projetos em diversas áreas, equipes e países e mais recentemente foi responsável por uma área global de Pessoas e Cultura. Ela junta sua curiosidade nata, e a diversidade do que vivenciou, para ajudar os clientes da Hümans at Work a caminhar em direção ao futuro do trabalho. Um futuro mais flexível, mais ágil, com mais significado e ,é claro, mais humano