Acredito que precisamos olhar com carinho para o lado humano do futuro do trabalho. Mas ainda sinto as empresas focando apenas no “impacto das novas tecnologias”. Ouço muitas procurando o tema “transformação digital”, como se digitalizar fosse a solução para esta “modernização”. Também é preciso nos transformar como seres humanos para estarmos preparados para o futuro. É claro que parte desta transformação implica em incluir a tecnologia como meio, como aliada, mas vai muito além.

Te convido a comparar uma foto de escritório de antigamente com o seu ambiente atual. Provavelmente você irá reparar no modelo do computador, ou máquina de escrever – dependendo da idade da foto. Talvez você comente sobre os enormes arquivos de papel, pilhas de papel nas mesas ou na quantidade de carimbos. Mas peço que repare além da tecnologia. O quanto realmente mudou a forma como trabalhamos? É possível que sua estrutura organizacional tenha mudado muito pouco, que o modelo hierárquico e de comando e controle ainda persiste. É possível que os incentivos para a equipe de vendas continuem muito parecidos, que a política de salários não mudou estruturalmente, que sua equipe continue entregando relatórios sem saber a real importância – mas foi o diretor quem pediu. E não se iluda pelo mobiliário ou pelos escritórios extravagantes de startups. Mesas compartilhadas, coworkings e salas de descompressão não simbolizam necessariamente grandes transformações de como trabalhamos e interagimos uns com os outros. Te convido a mergulhar em questões mais profundas, além da tecnologia e da decoração.

Você já reparou que as coisas parecem estar cada vez mais misturadas? Trabalho e vida “pessoal”? Sinto que este é um assunto delicado para muitos. Quantas vezes reclamamos dos grupos do WhatsApp que parecem não nos deixar em paz, de nosso parceiro checando e-mails durante um jantar a dois. Mas te convido a ter um olhar positivo e curioso sobre este aspecto. O que será que há de interessante neste movimento? O que pode surgir com esta mistura?

Vou te ajudar com um exemplo. Uma das habilidades do futuro é a criatividade. Imagina que enquanto os robôs nos “dão uma mãozinha” com atividades repetitivas (talvez até entediantes), podemos focar cada vez mais em processos criativos. Em resolução de problemas complexos que envolvam muito mais do que cálculo. Que envolvam visão sistêmica e a capacidade de conectar elementos distintos. Agora, principalmente referente a processos criativos, você consegue me dizer quando você está efetivamente trabalhando e quando não está? E aquela ideia que vem durante o banho à la Arquimedes? E aquele projeto que nasceu de uma conversa de bar? E aquela outra abordagem para fechar um negócio que veio enquanto você estava correndo na esteira?

Voltando para o mobiliário, já reparou também que alguns escritórios estão parecendo cada vez mais com sua sala de estar? Foi assim que eu me senti numa visita ao escritório do Twitter. A sala de reunião tinha abajur e tapete, me senti “em casa”. Fiquei pensando em como explicar isto para meu avô que trabalhou em fábrica numa época que usar protetor auricular era sinal de fraqueza. Talvez ele me acharia muito “fraca” de fazer uma reunião em meio a tantas almofadas.

Eu, particularmente, vejo um lado muito bonito de se misturar as coisas, que é enxergar o indivíduo como “um” só. Afinal somos isso mesmo, apenas um. Cheio de facetas, mas apenas um. Já pensou se nosso trabalho nos desse a oportunidade de evoluir como indivíduo? Já pensou se trouxéssemos as ferramentas e aprendizados do trabalho para a vida “pessoal” e vice-versa? Aprimoramento humano não tem fronteiras, não se divide em : isto é só do escritório, isto é só lá em casa. Se você aprendeu algo que faz sua gestão de tempo ou sua comunicação interpessoal melhorar, você não irá trazer esses aprendizados para casa? E este é um ponto que me encanta: o aprimoramento humano de forma integral.

Aqui na Hümans at Work acreditamos muito nesta linha. Acreditamos que pessoas transformam empresas, que transformam pessoas que transformam o meio. Não há fronteiras para a transformação humana. Não há turnos. Precisamos “misturar” um pouco as coisas se quisermos evoluir nossas competências humanas na família, no trabalho, na vida. Por isso eu acho que um bom caminho para evoluirmos como profissionais é evoluirmos como seres humanos. Porque tudo está conectado no final. Te convido a caminhar junto neste propósito, de ser um humano um tantinho melhor a cada dia.

Te convido a refletir como criar um ambiente de trabalho do futuro, um ambiente que permita e incentive o aprimoramento humano. Que parta da premissa que pessoas são confiáveis e capazes. Sem avaliações de desempenho com curva forçada. Sem ameaças. Sem cultura do medo. Apenas um ambiente que estimule cada um a encontrar seu real potencial como ser humano. Aí sim podemos nos tranquilizar com a vinda de nossos amigos robôs.

 

Analiz é integrante da Hümans at Work e tem uma experiência bem diversificada. É engenheira de formação, fez pós graduação em gestão de negócios e recentemente concluiu um mestrado em Digital Management na Hyper Island, uma creative school na Europa conhecida como a Digital Harvard. Começou a sua carreira na indústria e mudou para o setor de tecnologia, assim viveu o mundo corporativo e o mundo das startups. Trabalhou com projetos em diversas áreas, equipes e países e mais recentemente foi responsável por uma área global de Pessoas e Cultura. Ela junta sua curiosidade nata, e a diversidade do que vivenciou, para ajudar os clientes da Hümans at Work a caminhar em direção ao futuro do trabalho. Um futuro mais flexível, mais ágil, com mais significado e ,é claro, mais humano