Falar de futuro do trabalho está virando quase passado. É fato que muito daquele futuro projetado já é presente. Os impactos podem ser sentidos nos corredores e na rotina profissional.

Ao mesmo tempo que algumas previsões se concretizam, é natural que novas projeções surjam. Prever um futuro é um exercício que mistura probabilidade e desejo. Olho para o futuro tentando entender o que vai acontecer, mas também tentando fazer acontecer um cenário almejado.

Nessa lógica e necessidade de tentar entender o que vai acontecer, ganhou força nos últimos anos a figura do futurista, profissional que dedica suas horas para fazer previsões. Mas nada de esoterismo. Prever o futuro é uma ciência, isso não quer dizer que seja uma certeza.

Entre os olhares de futuro, podemos simplificar algumas coisas e dividi-los em dois grupos: otimistas e apocalípticos. O primeiro, olha para o futuro e enxerga prosperidade. O segundo, vislumbra uma nuvem negra de preocupação.

É inevitável falar de futuro sem relacioná-lo a tecnologia. Afinal, ela é o grande motor de transformação. A Inteligência Artificial é um assunto frequente. Há quem olhe para ela e entenda o quanto ela facilitará processos. Há quem pense nela como geradora de caos, que transformará nosso jeito de ser, mas eliminará empregos e criará um problema socioeconômico que marcará época.

Enquanto gestores, empresários e profissionais do mercado, é um movimento natural entendermos o quanto as mudanças são velozes e, dentro disso, nos digitalizarmos. “Transformação Digital” é termo frequente em salas de reuniões. Precisamos entender e nos aliarmos a tecnologia para evitar a irrelevância.

Porém, olhar para o futuro pede um outro ponto de vista também fundamental: o aspecto humano. Já é sabido que boa parte das habilidades do novo tempo será do terreno “pessoal”. O Fórum Econômico Mundial é fonte de popular lista que elenca entre as principais características aspectos como a Criatividade, a Inteligência Emocional e o Pensamento Criativo. Com o apoio cada vez mais presente das máquinas, prosperará quem estiver dotado da maior capacidade humana. Logo, é possível afirmar: o futuro do trabalho é humano. Mas precisa ir muito além das competências.

As profundas transformações tecnológicas e sociais trazem a necessidade para outras reflexões: Qual será a organização social com a redução de postos? Como construiremos cultura com equipes mais remotas e muitas vezes temporárias? Em que medida as transformações tão intensas afetarão a nossa saúde mental?

Olhar para o futuro é, sim, vislumbrar e se deslumbrar com a tecnologia, mas entender que o mundo é feito de humanos com suas humanidades. Ao projetar transformações, não podemos apenas focar apenas nos processos e máquinas, é fundamental pensar nas pessoas.

Precisamos prever e construir o futuro sob a ótica humana. O mundo evolui e se transforma, mas não perde a característica de ser o lugar onde a gente vive. Que nós, empresários e gestores de pessoas, possamos entender que a “Transformação Digital” é também uma “Transformação Humana”. Que com este olhar, a gente consiga construir organizações capazes de realizar projetos fantásticos, mas também colaboradores incríveis.