Outro dia vi uma tirinha do Dilbert, o chefe chega para o Wally, que é programador, e diz que faz trinta minutos que o está observando mas que ainda não o viu trabalhar. Wally responde que está a espera do computador processar um novo software e, enquanto isso, está desenhando na sua cabeça como será o próximo módulo do programa. O chefe pergunta se ele não pode projetar o que está na sua cabeça para ter a certeza que está trabalhando.

Por mais absurdo que possa parecer, a tirinha está bem próxima da realidade de muitas empresas, onde o medo de não ter controle sobre o seus funcionários, faz com que a maioria dos chefes tenha a ilusão de que a presença física é o que precisam para controlar a produtividade, eliminando a possibilidade de adoção de uma política de trabalho flexível, permitindo que as pessoas possam trabalhar remotamente e serem beneficiadas com:

  • Maior qualidade de vida, devido a flexibilidade que permite o colaborador equilibrar a sua agenda pessoal com a de trabalho
  • Economia de tempo antes gasto com deslocamento e que agora pode ser usado para ficar com a família, praticar exercícios, dormir mais, se alimentar de forma mais saudável ou simplesmente começar a trabalhar mais cedo.
  • Economia financeira devida a diminuição ou eliminação de custos com transporte, alimentação na rua, vestuário e gastos com creche ou babá, no caso de quem tem filhos.
  • Impacto positivo no meio ambiente ao diminuir a sua contribuição na emissão de CO2.
  • Maior felicidade em relação ao trabalho por diminuir vários fatores que aumentam o stress, como tempo no trânsito, distrações, interrupções.
  • Melhora na saúde já que poderá praticar mais exercício e se alimentar melhor.

E os ganhos são retribuídos de diversas formas, além de outras vantagens que a empresa pode ter, como:

  • Aumento da produtividade e melhor qualidade na entrega que é um dos primeiros resultados que a empresa sente ao adotar uma política de trabalho remoto.
  • Economia de custos com escritório e equipe, uma vez que empresas com política de trabalho remota estão mais abertas a recorrerem a um número crescente de freelancers com altíssimo nível de profissionalismo, inclusive para funções executivas.
  • Diversidade na equipe uma vez que você não está limitado a contratar numa região geográfica específica, o que contribui para ideias diferentes daquelas geradas por um grupo que vive cercado pelas mesmas referências.
  • Aumento das possibilidades de recrutamento, o que pode ser decisivo em mercados onde a concorrência por talentos é muito grande e cara.
  • Retenção de talentos que diminui custos e aumenta a velocidade dos processos internos, uma vez que você não precisa estar constantemente repondo pessoas e tendo que treina-las desde o básico.
  • Uma cultura mais forte que resulta de uma equipe engajada que não pensa em abrir mão da flexibilidade e conta com um trabalho ativo dos líderes para fazer dar certo.

Como pode ver são muitas vantagens para ambos os lados, mas claro que existem riscos e para obter sucesso nesse modelo. É preciso uma mudança cultural na empresa e não simplesmente dizer para o seus trabalhadores que a partir de hoje podem trabalhar de onde quiserem. É preciso criar e afinar processos e o papel dos líderes é decisivo para evitar os riscos de isolamento ou burnout de quem opta por trabalhar remotamente.

 

 

William Gama Consultor da SketchDeck (São Francisco/EUA) Will desenvolve projetos para empresas como Facebook, Instagram e SAP das mais diferentes partes do mundo, mas seu escritório é o planeta todo. É pesquisador, entusiasta e consultor especializado em trabalho remoto.