“Não vivemos uma era de mudanças, mas uma mudança de era”. Já usei esta frase de Chris Andersen uma porção de vezes em palestras por aí. Gosto dela porque causa impacto, apresenta uma certa urgência e noção do momento histórico que estamos vivendo neste exato momento.
A 4ª Revolução Industrial é uma ideia apresentada por Klaus Schwab, do Fórum Econômico Mundial, que dimensiona de maneira clara e organizada o que está acontecendo. “Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes”, conceituou Schwab.
De tudo que já ouvi sobre o momento que vivemos, “a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes” é a frase que melhor define meu pensamento sobre este futuro que já acontece no presente. Muito se discute sobre o caráter tecnológico e processual das mudanças, mas como ficam as questões humanas neste novo universo? Não é exagero considerar que, diante de tantas transformações provocadas por nanotecnologias, neurotecnologias, robôs, inteligência artificial, biotecnologia, sistemas de armazenamento de energia, drones e impressoras 3D, a própria ética poderá sofrer transformação radical.
Nem deveríamos esperar por menos, afinal, a caracterização de uma nova era ou de uma nova revolução, como queira chamar, se dá justamente pelo impacto que provoca em diferentes campos da sociedade. O ponto é, estas transformações serão positivas ou negativas?
Do lado otimista, mora a maioria. Em pesquisa realizada com mais de 4.000 líderes de destaque ao redor do globo, a visão de um futuro positivo supera os 70%. Mas há também fortes indícios para desconfiança. A extrema automatização das fábricas fatalmente resultará no fechamento de milhões de postos de trabalho. Como lidaremos com isso?
Dentro dos escritórios, certamente a mudança também será intensa. Alias, já é. Você já é capaz de sentir? O ritmo mais ágil, a conexão, a incerteza e a informação modificam nossa forma de trabalhar. Enquanto seres humanos, também precisaremos nos revolucionar. Transformar quem somos, na minha opinião, é a única maneira saudável de nos inserirmos nesta nova era que se desenha. O efeito da transformação descompassada entre tecnologia e indivíduo poderá resultar em uma quebra com consequências graves a performance e o equilíbrio emocional. Já observo sintomas deste compasso em algumas organizações. Também enxergo prosperidade em outras capazes de alinhar ambos aspectos.
É tempo oportuno para pessoas e empresas se reinventarem. Toda nova era abre oportunidades. Possivelmente, estamos vivendo uma transição histórica. Que seja um período marcado pela evolução tecnológica e humana para versões melhores e mais sustentáveis nossas e das organizações.
Guilherme Krauss é fundador da Humans at Work, co-fundador da A Grande Escola, pesquisador e autor de 2 livros – “Vida Produtiva” (2017) e “Toda Segunda é um Pequeno Réveillon” (2018).