Eu tenho a sensação que de uma hora para outra começamos a falar de Colaboração nas organizações. Você também sente isso? 

Começamos a valorizar, apenas recentemente, a habilidade de colaborar e até buscá-la dentro das empresas e nos indivíduos.

No entanto, vivenciamos sistemas que não foram construídos com base na Colaboração:

  • Nas escolas ainda valoriza-se muito o desempenho individual
  • No meio social durante muitos anos (e ainda hoje em dia) ouvimos que mulheres competem entre elas. 
  • Nas redes sociais competimos por likes e seguidores. 
  • No mundo corporativo, as empresas durante décadas incentivaram seus colaboradores a se tornarem “estrelas individuais” com metas agressivas de resultado e recompensa, na maior parte do tempo focados em estratégias de curto prazo. E quando não totalmente focada no individual, encontra-se um mecanismo de defesa e competição rodeando cada silo (área). Um silo batendo mais meta do que o outro. 

Acontece que estas crenças vão se tornando a base para nossos comportamentos sem que tomemos conta ou que observemos tudo isto com mais calma e profundidade. É claro que não adianta apenas pedir colaboração aos funcionários, é preciso adaptar as práticas de gestão se elas tiverem incoerentes com a nova mentalidade desejada. Afinal, colaboração depende de abertura e confiança. Mas, podemos e devemos começar esta transformação no nível individual.

Independente dos processos e ferramentas existentes, colaboração tem a ver com maximizar a contribuição de cada indivíduo para um grupo com um objetivo em comum. Trabalhar em equipe não significa necessariamente que trabalhamos de forma colaborativa. Colaborar é abrir mão do ego e do apego a “minha ideia” e do “meu projeto” para abraçar algo muito maior, que eu individualmente não desenvolveria. É como aquela velha frase : “Sozinhos vamos mais rápido, mas juntos vamos mais longe”. 

Não é sobre como fazíamos trabalhos na escola, “eu faço a referência bibliográfica, você faz as entrevistas e depois a gente junta tudo”. Não estamos falando de uma colcha de retalhos, estamos falando de um tecido único que é diferente daquele que você teceria se estivesse fazendo tudo sozinho ou uma parte independente, desconectada do todo. Colaboração também não tem a ver com modismos de ir trabalhar num coworking e porque dividimos as mesmas canecas significa que estamos num ambiente colaborativo.

E se nos faltar referência de modelos colaborativos ao nosso redor, não precisamos ir muito longe. Não é necessário visitar laboratórios de inovação e empresas de tecnologia do Vale do Silício. Temos a natureza aí fora nos mostrando o que é Colaboração. O termo na biologia se chama mutualismo, que é definido por uma interação ecológica entre dois seres vivos na qual há vantagens recíprocas para ambas as espécies.

E na sua empresa, como podemos encontrar a Colaboração? Ela existe? Comenta aqui 🙂