Vez ou outra, gosto de tirar um tempo para transformar pensamentos em palavras. Há um tempo que já penso no papel das certezas nas nossas vidas e empresas. Por um lado, é claro que tudo fica mais confortável quando temos todas as respostas e definições. Por outro, o excesso delas é inimigo mortal da inovação e da adaptabilidade em um mundo que muda tanto. Logo abaixo discorro mais sobre o assunto. Veja o que acha e me conta sua opinião! Vamos lá:

“Aos que tem dúvidas, porque estão certos”. Esta frase abriu um livro que li há certo tempo e ecoou forte em mim. Ao longo da minha vida e carreira, sempre tive o que chamam de perfil “planejador”. Gosto da ideia do controle, de ter os cenários bem delimitados e as coisas bem definidas. A certeza traz um conforto. Você também é destas pessoas que prefere a certeza à incerteza?

A pergunta que acabei de fazer é um tanto boba. É claro que a gente pode encontrar por aí os amantes do incerto, mas a tendência é de que a maior parte das pessoas prefira mesmo a certeza, faz parte da nossa origem. Viver já é incerto o suficiente, construímos nossas vidas com algumas dúvidas permanentes na cabeça: Qual é o tamanho da vida? O que é uma vida bem vivida? Estou no caminho certo? Questões que frequentemente aparecem na mente de um ser humano em sua trajetória.

A nossa ânsia por certezas pode ser interpretada, inclusive, como uma resposta as dúvidas que circundam nossa existência. Mas a pergunta importante a ser feita é: a certeza é tão boa e tão certa assim?

No mundo dos negócios, por exemplo, a certeza em excesso transforma-se em uma visão míope do mercado. Quando não cegueira. Certezas demais transformam o bom de hoje em modelo superado no amanhã. A velocidade é cruel e muda rapidamente as regras do jogo. A incerteza é uma característica marcante do nosso momento e um dos pilares do mundo VUCA – Volatility, Uncertainty, Complexity, Ambiguity (BENNIS, Warren; NANUS, Burt. US Army War College – 1987), conceito popular dentro do ambiente corporativo.

Ainda mais popular no mundo trabalho atual é a “Inovação”, mais do que um diferencial, uma característica inerente à sobrevivência em um mercado competitivo e veloz. Acredito, não sei se concorda comigo, de que é uma certeza para qualquer organização a importância do desenvolvimento de uma cultura mais inovadora. Uma certeza que pede dúvidas. Não porquê a inovação seja algo a ser colocado em xeque, mas porque a cultura inovadora é bastante dependente da incerteza.

Certeza demais restringe a visão, a dúvida abre caminho para o diferente. Tudo que é questionado pode ser melhorado. Já aquilo que é rígido, tende a ficar mais ou menos do jeito que é. A rigidez é um perigo em um mundo que muda tanto.

No início do texto, defendo que a certeza traz conforto. Mas isso é uma ilusão. Confortável mesmo é a possibilidade da dúvida e da flexibilidade, a eterna abertura e ideia de que tudo pode ser diferente. A dúvida é combustível da inovação e evolução pessoal. A certeza excessiva pode ser o freio do desenvolvimento.

Quais certezas que você alimenta atualmente que poderiam ser substituídas por dúvidas?

O que parece tão bem-sucedido na sua área ou empresa e poderia ser questionado?

 

 

Guilherme Krauss Fundador é fundador da Humans at Work, co-fundador da A Grande Escola, pesquisador e autor de 2 livros. Foi executivo de inovação e idealizador de uma pesquisa que estabelece índice de felicidade em organizações de todo o Brasil.